Espiritismo
É uma
doutrina que alia ciência, filosofia e religião,
buscando a melhor compreensão não apenas do universo tangível (científico), mas
também do universo a esse transcendente (religião). A doutrina é baseada em cinco
"obras básicas" que juntas formam a Codificação Espírita escrita por Kardec, através da observação de fenômenos que o
mesmo atribuía a manifestações de inteligências incorpóreas ou imateriais,
denominadas espíritos.
A codificação espírita se constituiu em: O Livro dos Espíritos, O Livro dos Médiuns, O Evangelho segundo o Espiritismo, O Céu e o Inferno e A Gênese; somam-se à codificação as chamadas obras
"complementares", como O Que é o Espiritismo?, Revista Espírita e Obras Póstumas.
O termo Espiritismo foi cunhado por Kardec em 1857 para definir especificamente o corpo de ideias por ele reunidas e codificadas em "O Livro dos Espíritos". Na publicação do livro O Que é o Espiritismo, o codificador a define como uma doutrina que trata da "natureza, origem e destino dos espíritos, bem como de suas relações com o mundo corporal e as consequências morais que dela emanam", e fundamenta-se nas manifestações e nos ensinamentos dos espíritos.
Também é compreendida
como uma doutrina de cunho científico-filosófico-religioso voltada para o
aperfeiçoamento moral do homem, que acredita na possibilidade de comunicação
com os espíritos através de médiuns.
A doutrina também é conhecida por influenciar e prover um movimento social de
instituições de caridade e saúde, que envolve milhões de pessoas em dezenas de
países.
O espiritismo tem se expandido e, segundo dados do ano 2005, conta com
cerca de 15 milhões de adeptos espalhados entre diversos países como Portugal, Espanha, França, Reino Unido, Bélgica Estados Unidos, Japão, Alemanha, Argentina, Canadá, e, principalmente, Cuba,
Jamaica e Brasil,
sendo que este último tem a maior quantidade de adeptos no mundo. No entanto, vale frisar que é difícil estipular
a quantidade existente de espíritas, pois as principais estipulações sobre isso
são baseadas em censos demográficos
em que se é perguntado qual a religião dos cidadãos, porém nem todos os
espíritas interpretam o Espiritismo como
História
Segundo
seguidores e simpatizantes da Doutrina Espírita, os fenômenos mediúnicos seriam
universais e teriam sempre existido, inclusive com fartos relatos na Bíblia . Entre outros, os espíritas citam como exemplos mediúnicos
bíblicos a proibição de Moisés à prática da "consulta aos mortos", que seria uma
evidência da crença judaica nessa possibilidade, já que não se interdita algo
irrealizável ; a consulta de Saul,
primeiro rei do antigo Reino de Israel, à Bruxa de Endor, em I Samuel 28:1-25, que
vê e ouve o Espírito desencarnado de Samuel,
o último dos juízes
de Israel e o primeiro dos profetas registrados na história do seu
povo; a comunicação de Jesus com Moisés e Elias no Monte Tabor na Transfiguração de Jesus
(Mateus
17:1-9)
Na filosofia antiga também há exemplos: nos Diálogos
de Platão, este fala sobre o daimon ou gênio que acompanharia Sócrates. Muitos espíritas adotam a data de 31 de março de 1848
(início dos acontecimentos mediúnicos na residência das Irmãs Fox em Hydesville, EUA) como o marco inicial
das modernas manifestações mediúnicas, alegadamente mais ostensivas e
frequentes do que jamais ocorrera, o que levou muitos pesquisadores a se
debruçarem sobre tais fenômenos. No
entanto, para Sir Arthur
Conan Doyle e vários outros espíritas, o marco inicial das modernas
manifestações mediúnicas foi na verdade Emanuel
Swedenborg, polímata sueco do século XVII. Segundo Conan Doyle, a espiritualidade
de Swedenborg marcou o início da era em que fenômeno mediúnico deixou de ter
caráter esporádico, para transformar-se numa espécie de "invasão espiritual
organizada" na Terra
História n
o espiritismo no Brasil
Com a eclosão dos modernos fenômenos espíritas em Hydesville,
nos Estados Unidos, pela mediunidade das irmãs Fox (1848), em pouco tempo estes
se propagaram à Europa onde, na França, as chamadas "mesas girantes"
se tornaram um modismo popular. Neste país, esse tipo de fenômeno, em 1855,
despertou a atenção do pedagogo Hippolyte Léon Denizard Rivail. Como resultado
de sua pesquisa, publicou a primeira edição de "O Livro dos Espíritos”
(Paris, 1857), sob o pseudônimo de "Allan
Kardec
No Brasil, as ideias que darão origem ao
espiritismo remontam às primeiras experiências com o chamado “fluido vital”
(magnetismo animal, mesmerismo) por parte dos praticantes da homeopatia,
nomeadamente os médicos Benoît Jules Mure, natural de França, e João Vicente
Martins, de Portugal, que chegaram ao país em 1840 e o aplicavam em seus
clientes. Entre as personalidades que se interessaram pelo estudo do “fluido
vital” destacam-se José Bonifácio de Andrada e Silva, o patriarca da
Independência, também cultor da homeopatia, e Mariano José Pereira da Fonseca
(Marquês de Maricá), que, em 1844, publicou uma obra com ensinamentos de fundo
espírita. O grupo mais antigo desses estudiosos e praticantes constituiu-se no
Rio de Janeiro, então capital do Império do Brasil, em torno da figura do
médico e historiador Alexandre José de Mello Moraes, sendo integrado por Pedro
de Araújo Lima (Marquês de Olinda), Bernardo José da Gama (Visconde de Goiana),
José Cesário de Miranda Ribeiro (Visconde de Uberaba) e outros vultos do
Segundo Reinado.
Teve
através de Bezerra de Menezes
e
Chico Xavier a oportunidade de se
popularizar pelo país, espalhando seus ensinamentos por grande parte do território brasileiro. Hoje, o Brasil
é o que reúne o maior número de espíritas em todo o mundo.
A Federação Espírita
Brasileira entidade de âmbito nacional do movimento espírita congrega aproximadamente dez mil instituições espíritas, espalhadas
por todas as regiões do país. Há várias associações espíritas
brasileiras de profissionais específicos, como a Associação
Médico Espírita do Brasil, Associação
Brasileira de Psicólogos Espíritas, Associação
Brasileira de Magistrados Espíritas, Associação
Brasileira de Artistas Espíritas, Cruzada dos Militares Espíritas.
Uma
história do espiritismo no Brasil pode
ser dividida em três grandes etapas:
·
Pioneirismo na Bahia (Elias da Silva)
·
No Rio de Janeiro (período imperial)
·
No Rio de Janeiro (período Republicano)
Allan Kardec
Durante o século XIX houve uma grande onda
de manifestações mediúnicas nos Estados Unidos e na Europa
. Estas manifestações consistiam
principalmente de ruídos estranhos, pancadas em móveis e objetos
que se moviam ou flutuavam sem nenhuma causa
aparente. No final dos anos 1840 destacou-se o suposto caso
das Irmãs Fox,
nos EUA
Em 1855, o
professor Denizard Rivail, que depois adotou o pseudônimo de Allan Kardec,
pretendia investigar o fenômeno que muitas pessoas afirmavam ter experimentado
na época, das mesas girantes ou dança das mesas, em que mesas e objetos em geral pareciam
animar-se com uma estranha vitalidade. Apesar de iniciais afirmações bastante
duvidosas em relação ao fenômeno "Eu
crerei quando vir e quando conseguirem provar-me que uma mesa dispõe de cérebro
e nervos, e que pode se tornar sonâmbula; até que isso se dê, deem-me a
permissão de não enxergar nisso mais que um conto para dormir em pé", assegura-se que após dois anos de
pesquisas, não tinha constatado um motivo para englobar todos os acontecimentos
dessa ordem no âmbito das falácias e/ou charlatanices. Pessoalmente convencido
não só da realidade do fenômeno, que considerou essencialmente real apesar das
mistificações existentes, mas também acreditando que eles eram realmente causados
por influência de espíritos, Rivail, passou a
promover novos métodos de estudo para a identificação deste e outros fenômenos
do tipo mas sagrou-se principalmente a divulgar suas concepções sobre
consequências ético-morais a eles relacionadas
“O verdadeiro Espírita não é
aquele que crê nas manifestações, mas aquele que aproveita o ensinamento dado
pelos Espíritos. De nada serve crer, se a crença não o faz dar um passo à
frente no caminho do progresso, e não o torna melhor para o seu próximo”
Quanto à sua formação, foi discípulo de Pestalozzi (discípulo por sua vez de Rousseau) e membro de diversas sociedades acadêmicas. O seu principal intuito como espírita
era dar algum suporte à espiritualidade humana numa época em que a ciência
avançava a passos largos e as religiões perdiam cada vez mais adeptos. Kardec
julgava ter encontrado um novo modo de pensar o real, que uniria, de forma
ponderada, a ascendente ciência e a decadente religião. Analisou relatos de
inúmeras ocorrências mediúnicas espalhadas pela Europa e Estados Unidos,
unificando as informações que interpretou a fim de
codificar esse tipo de prática e os ensinamentos transmitidos. Assim, Kardec defendia que fazia uso
do empirismo científico para investigar os fenômenos, da racionalidade
filosófica para dialogar com o que presumiu serem espíritos e analisar suas proposições, e buscou extrair desses diálogos
consequências ético-morais úteis para o ser
humano. Surgia aí, mais precisamente em 18 de abril
de 1857, a doutrina espírita, sistematizada na primeira edição de O
Livro dos Espíritos.
Nos Estados Unidos, desde os primórdios de seu aparecimento, o Espiritismo tem
sido mais comumente denominado "Moderno
Espiritualismo", em face da
introdução de um caráter científico-filosófico-religioso novo nas ideias já
existentes do espiritualismo. Nos países de língua inglesa, assim como boa
parte da Europa, o espiritismo ainda é considerado, primordialmente, uma
ciência de observação dos fenômenos espiritualistas (uma espécie de
"espiritualismo científico ou experimental") e, muito menos, como uma
religião. O Espiritualismo norte-americano e inglês
evoluiu de forma bem diferente do que é conhecido como Espiritismo ou Doutrina
Espírita, conforme codificado por Allan Kardec.
Bezerra
de Menezes (O Kardec Brasileiro)
Descendente de antiga família de fazendeiros de criação,
ligada à política e ao militarismo na Província do Ceará, era filho de Antônio
Bezerra de Menezes (tenente-coronel da Guarda Nacional) e de Fabiana de Jesus
Maria Bezerra.
Em 1838, aos sete anos de idade,
ingressou na escola pública da Vila do Frade (adjacente ao Riacho do Sangue,
atual Jaguaretama) onde, em dez meses, aprendeu os princípios da educação
elementar.
Conheceu a Doutrina Espírita quando do
lançamento da tradução em língua portuguesa de O Livro dos Espíritos (sem data,
em 1875), através de um exemplar que lhe foi oferecido com dedicatória pelo seu
tradutor, o também médico Dr. Joaquim Carlos Travassos. Após estudar por alguns anos as obras de Allan Kardec, em 16
de agosto de 1886, aos cinquenta e cinco anos de idade, perante grande público
(estimado, conforme os seus biógrafos, entre mil e quinhentas e duas mil
pessoas) no salão de conferências da Guarda Velha, no Rio de Janeiro, em longa
alocução, justificou a sua opção em abraçar o Espiritismo. O evento chegou a
ser referido em nota publicada pelo "O Paiz".
Foi em meio a grandes dificuldades
financeiras que um acidente vascular cerebral o acometeu, na manhã de 11 de
abril de 1900. Faltaram aqueles, pobres e ricos, que socorreram a família,
liderados pelo Senador Quintino Bocaiúva. No dia seguinte, na primeira página
de "O Paiz", foi lhe dedicado um longo necrológio, chamando-o de
"eminente brasileiro". Recebeu ainda homenagem da Câmara Municipal do
então Distrito Federal pela conduta e pelos serviços digno.
Chico Xavier
Nascido no seio de uma família humilde,
era filho de João Cândido Xavier, um vendedor de bilhetes de loteria, e de
Maria João de Deus, uma dona de casa católica. Segundo biógrafos, a mediunidade
de Chico teria se manifestado pela primeira vez aos quatro anos de idade, quando
ele respondeu ao pai sobre ciências, durante conversa com uma senhora sobre
gravidez. Ele dizia ver e ouvir os espíritos e conversar com eles.
Em 1927, então com dezessete anos de
idade, Francisco perdeu a madrasta Cidália e se viu diante da insanidade de uma
irmã, que descobriu ser causada por um processo de obsessão espiritual. Por
orientação de um amigo, Francisco iniciou-se no estudo do Espiritismo. Logo
deixou de ser católico e se tornou espírita convicto.
O médium morreu aos 92 anos de idade, em
decorrência de parada cardiorrespiratória, no dia 30 de junho do ano de 2002. Conforme
relatos de amigos e parentes próximos, Chico dizia que iria
"desencarnar" em um dia em que os brasileiros estivessem muito
felizes e em que o país estivesse em festa, para assim o desencarne dele não
causar tristeza. O país festejava a conquista da Copa do Mundo de futebol
daquele ano, no dia de seu falecimento (Chico morreu cerca de nove horas depois
da partida Brasil x Alemanha).
Estudo sobre as mesas girantes
Segundo os biógrafos, Allan Kardec foi
convidado por Fortier, um amigo estudioso das teorias de Mesmer,
a verificar, observar e analisar o fenômeno chamado de "mesas girantes, um tipo de sessão
espírita popular no século XIX. As primeiras manifestações de mesas
girantes observadas por ele aconteceram por meio de mesas se levantando e
batendo, com um dos pés, um número determinado de pancadas e respondendo, desse
modo, sim ou não,
segundo fora convencionado, a uma questão proposta
Kardec, analisando esses fenômenos, concluiu que não havia nada de
convincente neste método para os céticos, porque se podia acreditar num efeito
da eletricidade, cujas propriedades eram pouco conhecidas pela ciência de
então. Foram então utilizados métodos para se obter respostas mais
desenvolvidas por meio das letras do alfabeto: a mesa batendo um número de
vezes corresponderia ao número de ordem de cada letra, chegando, assim, a
formular palavras e frases respondendo às perguntas propostas. Kardec concluiu que a precisão das
respostas e sua correlação com a pergunta não poderiam ser atribuídas ao acaso
O ser misterioso que assim respondia, quando interrogado sobre sua natureza,
declarou que era um espírito ou
gênio, deu o seu nome e
forneceu diversas informações a seu respeito. em seguida, o fenômeno começa a
diminuir e, se segundo alguns, a tornar-se anedótico.
No entanto, resultados de estudos feitos por Michael Faraday mostraram que os movimentos das mesas eram
causados pelo efeito ideomotor
e descartaram as explicações paranormais do fenômeno. O mesmo
explica o que ocorre com o tabuleiro ouija, onde os participantes
movimentam os marcadores de maneira involuntária e acabam por atribuir isso a
fenômenos "sobrenaturais”.
Diante de experiências com as mesas girantes Victor Hugo se tornou espírita e em 1867 clamou que a ciência
deveria dar atenção e seriedade para os fenômenos das mesas: “A mesa girante ou
falante foi bastante ridicularizada”.
Falemos claro. Esta zombaria é injustificável. Substituir o exame pelo
menosprezo é cômodo, mas pouco científico.
Acreditamos que o dever elementar da
Ciência é verificar todos os fenômenos, pois a Ciência, se os ignora, não tem o
direito de rir deles. Um sábio que ri do possível está bem perto de ser um
idiota. “Sejamos reverentes diante do possível, cujo limite ninguém conhece,
fiquemos atentos e sérios na presença do extra-humano, de onde viemos e para
onde caminhamos”.
Fundamentos principais
A doutrina espírita, de modo geral,
fundamenta-se nos seguintes pontos (princípios).
·
Existência
e unicidade de Deus, rejeitando o dogma da Santíssima Trindade (Conforme está na primeira questão de "O
Livro dos Espíritos" - "Deus é a inteligência suprema, causa primária
de todas as coisas". Também é algo e não alguém);
·
O
universo é criação de Deus, incluindo todos os seres racionais e irracionais,
animados e inanimados, materiais e imateriais, que por sua vez, todos estão
destinados a lei do progresso;
·
Existência
e imortalidade do espírito, compreendido como individualidade inteligente da
Criação Divina que está ligado ao corpo físico através de um conectivo
"semimaterial" denominado de perispírito;
·
Volta do
espírito à matéria (reencarnação), tantas
vezes quanto necessário, como o mecanismo natural para se alcançar o
aperfeiçoamento material e moral. No entanto, para a doutrina, a perfeição que
a Humanidade é suscetível atingir é relativo, pois apenas Deus possui a
perfeição absoluta, infinita em todas as coisas. Os espíritas rejeitam a crença
na metempsicose
·
Conceito
de "criação igualitária" de todos os espíritos, "simples e
ignorantes" em sua origem, e destinados invariavelmente à perfeição, com
aptidões idênticas para o bem ou para o mal, dado o livre-arbítrio;
·
Possibilidade
de comunicação entre os espíritos encarnados ("vivos") e os espíritos
desencarnados ("mortos"), por meio da mediunidade (também
denominada comunicabilidade dos espíritos). Essa comunicação é realizada com o
auxílio de pessoas com determinadas capacidades - os médiuns como,
por exemplo, na chamada "escrita automática" (psicografia);
·
Lei de
causa e efeito,
compreendida como mecanismo de retribuição ética universal a todos os
espíritos, segundo a qual nossa condição atual é resultado de nossos atos
passados e nossos pensamentos, palavras e atos constroem diariamente nosso
futuro (Quem semeia o bem, colhe o
bem. Quem semeia o mal, colhe o mal);
·
Pluralidade
dos mundos habitados materiais e espirituais: a Terra não é o único planeta com
vida inteligente no universo, bem como os planetas possuem mundos espirituais
habitados (por exemplo, Umbral, colônias espirituais e os planos espirituais superiores);
·
Jesus, criado
por Deus, é o guia e modelo para toda a humanidade. Segundo o espiritismo, a
moral cristã contida nos evangelhos canônicos é o maior roteiro ético-moral de que o homem
possui, e a sua prática é a solução para todos os problemas humanos e o
objetivo a ser atingido pela humanidade.
·
Fora da
caridade não há salvação. Para o espiritismo a caridade consiste em
benevolência para com todos, indulgência para as imperfeições dos outros e
perdão das ofensas.
Além disso, podem-se citar como características secundárias.
·
A noção
de continuidade da responsabilidade individual por toda a existência do
espírito;
·
Progressividade
do princípio espiritual dentro do processo evolutivo em todos os níveis da
natureza;
·
Ausência
total de hierarquia sacerdotal;
·
Abnegação
na prática do bem, ou seja, não se deve cobrar pela prática da caridade, nem o
fazer visando a segundas intenções. Toda a prática espírita é gratuita, como
orienta o princípio moral do evangelho: “Dai de graça o que de graça
recebestes”;
·
Uso de
terminologia e conceitos próprios como, por exemplo, mediunidade, perispirito,
centro espírita;
·
Total
ausência de exorcismos,
fórmulas, palavras sacramentais, horóscopos, cartomancia,
pirâmides, cristais, amuletos, talismãs, cultos
ou oferenda a
imagens ou altares, danças, procissões ou
atos semelhantes, paramentos, andores, bebidas alcoólicas ou alucinógenas, incenso e
fumo, práticas exteriores ou quaisquer sinais materiais;
·
Ausência
de rituais institucionalizados, a exemplo de batismo, culto ou cerimônia para
oficializar casamento;
·
Incentivo
ao respeito para com todas as religiões e opiniões.
·
Ter uma
fé raciocinada, rejeitando a fé cega que não utiliza o raciocínio lógico em
suas crenças.
Obras básicas e complementares
·
O Livro dos Espíritos
·
O Livro dos Médiuns
·
O Evangelho Segundo o Espiritismo
·
O Céu e o Inferno
·
A Gênese
Além destas obras, outras são adicionadas como complementares
·
O Que é o Espiritismo?
·
Revue Spirite
·
Obras Póstumas
As relações do Espiritismo com a medicina
A relação do Espiritismo em si com a
medicina é profunda, estando presente em muitos livros espíritas e havendo inclusive a Associação
Médico-Espírita Internacional, que congrega associações
médico-espírita de diversos países. O Espiritismo constitui um amplo movimento
internacional de instituições de caridade e saúde, como se constata
principalmente através da existência de tais associações, inúmeros hospitais e
centros espíritas e uma notória promoção da psiquiatria e da homeopatia.
O médico e político Dr. Bezerra de Menezes,
espírita, escreveu o clássico livro "A Loucura sob
Novo Prisma", buscando principalmente relacionar a questão dos
transtornos mentais com o Espiritismo e assim promover a aplicação de meios
mais eficazes de tratamento no campo da saúde mental.
A Associação Médico-Espírita Internacional (AME – INTERNATIONAL) foi fundada a 4 de junho de
1999, em São Paulo, Brasil. A associação tem como missão congregar as
Associações Médico-Espíritas dos diversos países e tem como finalidade o estudo
da Doutrina Espírita e de sua fenomenologia, tendo em vista a sua relação e
integração com os campos da Ciência, em particular da Medicina, da Filosofia e
da Religião. Para cumprir essa missão, estimula ou apóia a realização de
estudos, cursos, experiências e pesquisas científicas, visando a aplicação do
paradigma médico-espírita. Atualmente a AME-INTERNATIONAL possui 9 países
integrados e tem realizado inúmeros eventos em vários países dos continentes
americano e europeu
Atualmente o
psiquiatra e parapsicólogo Dr. Alexander
Moreira-Almeida, coordenador da Seção de Espiritualidade, Religiosidade e
Psiquiatria do World
Psychiatric Association, é um dos principais nomes no estudo científico da
relação entre saúde e experiências espirituais, principalmente a mediunidade.
Relações do
Espiritismo com as outras Religiões
Não há consenso entre os espíritas sobre
o Espiritismo ser ou não uma religião, apesar da doutrina constar como religião
em pesquisas demográficas. A causa disto é o tríplice aspecto do Espiritismo
que permite classificá-lo como uma doutrina que faz um alinhamento
"ciência-filosofia-religião”, desta forma um conhecimento triplo que
permite a união dessas três formas de pensamento.
A Doutrina Espírita, por sua vez, afirma
respeitar todas as religiões e doutrinas, e valorizar todos os esforços para a
prática do bem e diz trabalhar pela confraternização e pela paz entre todos os
povos e entre todos os homens, embora rejeite firmemente, reiterem-se, dogmas
fundamentais das outras religiões monoteístas; no caso particular do
cristianismo, destacam-se o da divindade de Cristo, o da Santíssima
Trindade, o da salvação/justificação pela
graça (mais que pelas obras/esforços individuais), e o da existência e
importância da Igreja como entidade espiritual, não apenas humana
Relações do Espiritismo com o
Cristianismo
A doutrina
espírita adota a moral cristã, apesar
de suas concepções teológicas diferenciadas. Para os espíritas, nome dado aos
seguidores do Espiritismo, Jesus Cristo se trata do
espírito mais elevado a já ter encarnado na Terra, bem como o modelo de conduta para o
auto-aperfeiçoamento humano, tendo provado, pela prática da caridade absoluta e
pela sua própria encarnação, que o homem pode suportar as provas necessárias para a sua
elevação espiritual.
Os espiritistas
(tradução muito usada durante as primeiras décadas do século XX para o
neologismo francês spirite) ou espíritas, afirmam-se
cristãos e atribuem à doutrina espírita o caráter de uma doutrina cristã, já
que consideram seguir os ensinamentos morais de Jesus. Entretanto, essa
associação entre o espiritismo e o cristianismo é contestada pelas religiões de tradição
judaico-cristã, sob a alegação de
que, embora partilhem de valores morais semelhantes, a rejeição espírita a
diversos dogmas bíblicos e teológicos preconizados por elas inviabilizaria a
conceituação do espiritismo como cristão.
O Conceito Bíblico segundo o Espiritismo
·
Sermão da Montanha 9 (capitulo 5 de Mateus)
·
Segundo o espiritismo, toda a moral cristã se resume neste axioma:
“Fora
da caridade não há salvação”Mt 22:34-40
·
Reencarnação (Hb 9:27)
·
Lei do Progresso ( Parábola do Julgamento das Nações em Mateus 25:31-46, e pela Parábola
do Trigo e do Joio em Mateus 13:24-30)
·
Mediunidade (Deuteronômio 18:10-14, Gálatas 5:20)
Em 2010,
o Brasil possuía cerca de 3,8 milhões de espíritas, de acordo com o último censo demográfico
de
autoria do Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística, realizado no mesmo ano.
Com efeito, o IBGE trata os termos Kardecismo e Espiritismo como equivalentes em sua classificação censitária.
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Graça e Paz.