Umbanda
A umbanda, também
conhecida como embanda e magia branca, é uma religião
brasileira,
cuja evolução a partir do sincretismo
religioso existente no país (principalmente a partir das religiões afro-brasileiras
e do kardecismo)
foi resultado de motivações diversas, inclusive de ordem social, que
originaram um culto à feição e moda do país. "Umbanda" e "embanda" são oriundas da língua quimbunda de Angola, significando "magia", "arte de curar". Já os autores de vertente esotérica fazem alusão ao sânscrito, a partir da junção dos termos Aum e Bandha, significando o elo entre os planos divino e terreno. A palavra mântrica Aumbandhan teria sido passada boca a boca e chegado até nós como "A Umbanda".
originaram um culto à feição e moda do país. "Umbanda" e "embanda" são oriundas da língua quimbunda de Angola, significando "magia", "arte de curar". Já os autores de vertente esotérica fazem alusão ao sânscrito, a partir da junção dos termos Aum e Bandha, significando o elo entre os planos divino e terreno. A palavra mântrica Aumbandhan teria sido passada boca a boca e chegado até nós como "A Umbanda".
Historia
Em meio as festas nas senzalas
os negros escravos
reverenciavam os orixás
por intermédio do sincretismo com os Santos
Católicos.
Nessas festas eles incorporavam seus orixás, mas também começaram a incorporar
os espíritos ditos ancestrais, como os pretos-velhos (reconhecidos como
espíritos de ancestrais, sejam de antigos babalaôs,
babalorixás,
yalorixás e antigos "pais e mães de senzala": escravos mais velhos
que sobreviveram à senzala e que, em vida, eram conselheiros e sabiam as
antigas artes da religião da distante África), que iniciaram a ajuda espiritual
e o alívio do sofrimento material daqueles que estavam no cativeiro. Embora
houvesse uma certa resistência por parte de alguns, pois consideravam os espíritos
incorporados dos pretos-velhos, como eguns
(espírito de pessoas que já morreram e não são cultuados no candomblé), também
houve admiração e devoção. Com os escravos foragidos, forros e libertados pelas
leis do Ventre Livre, Sexagenário e posteriormente a Lei Áurea,
começou-se a montagem das tendas, posteriormente terreiros.
No início do século XX, com o surgimento da Umbanda, esta que muitas
vezes era realizada nas praias começou a ser conhecida pelo termo macumba,
pois macumba nada mais é que um determinado tipo de reco-reco usado durante as
giras; por ser um instrumento musical, as pessoas referiam-se da seguinte
forma: "Estão batendo a macumba na praia", ficando então conhecidas
as giras como macumbas ou culto Omolokô.
Com o passar do tempo, tudo que envolvia algo que não se enquadrava nos
ensinamentos impostos pelo catolicismo,
protestantismo, e outras religiões, era considerado macumba.
Com isso, acabou por virar um termo pejorativo.
Zélio Fernandino de Moraes
Em 1908, aos 17 anos, Zélio Fernandino de Moraes
preparava-se para ingressar na Escola Naval, quando fatos estranhos começaram a
acontecer na vida dele. Em alguns momentos Zélio era visto falando manso, com a
postura de um velho, sotaque diferente. Em outros momentos parecia um felino
lépido e desembaraçado, mostrando conhecer todos os mistérios na natureza. Como
esses "ataques" se tornaram frequentes, a família decidiu buscar
ajuda. Primeiro com o médico da família, seu tio Epaminondas de Moraes,
psiquiatra e diretor do Hospício da Vargem Grande. Após dias de observação e
não encontrando seus sintomas em nenhuma literatura médica, sugeriu à família
que que o encaminhasse a um padre, para que fosse feito um ritual de exorcismo.
Foi chamado o padre, outro tio de Zélio e, após 3 exorcismos, não resolveram a
situação e as manifestações prosseguiram Após algum tempo, Zélio foi tomado por
uma paralisia parcial, a qual os médicos não conseguiam entender. Um dia, Zélio
levanta-se do leito e diz: "amanhã estarei curado" e, no dia
seguinte, voltou a andar como se nada houvesse acontecido.
Um amigo sugeriu encaminhá-lo à Federação Espírita
de Niterói, presidida pelo chefe de um departamento da
Marinha, o Sr. José de Souza. No dia 15 de novembro de 1908, na presença do Sr.
José de Souza, em meio aos ataques reconhecidos como manifestações mediúnicas,
o Caboclo das Sete Encruzilhadas anunciou o surgimento da Religião de Umbanda
no plano material. No dia seguinte, 16 de novembro de 1908, na casa do médium
Zélio Fernandino de Moraes, as 20h, o Caboclo das Sete Encruzilhadas
incorporou, na presença de várias pessoas, inclusive membros da Federação
Espirita de Niterói, e com as palavras abaixo iniciou seu culto:
“Vim para fundar a
Umbanda no Brasil. Aqui, inicia-se um novo culto, em que os espíritos de
pretos-velhos e os índios nativos de nossa terra poderão trabalhar em benefício
dos seus irmãos encarnados, qualquer que seja a cor, raça, credo, ou posição
social. A prática da caridade, no sentido do amor fraterno, será a
característica principal desse culto”.
O surgimento da Umbanda se dá com a fundação do primeiro Templo de
Umbanda, a Tenda Espirita Nossa
Senhora da Piedade, onde surgiu, de fato, uma liturgia, um
ritual e uma estrutura para que essa religião viesse a ser praticada. Tudo isso
foi realizado com Zélio Fernandino de Moraes
e o Caboclo das Sete Encruzilhadas.
Formas variadas da Umbanda
A incorporação de guias também ocorreu em outras religiões como no
Candomblé de Caboclos (desde 1865 as primeiras manifestações de Caboclos,
Boiadeiros, Marinheiros, Crianças e Preto-velhos aconteceram dentro do
Candomblé de Caboclos), no Catimbó e em centros Espíritas (onde não eram
aceitos e, muitas vezes, expulsos ou pedidos a se retirar, por serem vistos
como espíritos não evoluídos, ou mesmo, como obsessores).
Hoje temos várias linhas doutrinárias com o nome "Umbanda" que
guardam raízes muito fortes das bases iniciais, e outras, que se absorveram
características de outras religiões, mas que mantém a mesma essência nos
objetivos de prestar a caridade, com humildade, respeito e fé.
Alguns exemplos dessas ramificações são:
- Umbanda
Branca e/ou de Mesa: Nesse tipo de Umbanda, em
grande parte, não encontramos elementos Africanos Orixás,
nem o trabalho de exus e pomba giras, ou a utilização de elementos como
atabaques, fumo, imagens e bebidas. Essa linha doutrinária se prende mais
ao trabalho de guias como caboclos preto-velhos e crianças. Também podemos
encontrar a utilização de livros espíritas como fonte doutrinária;
- Omolokô
- Trazida da
África pelo Tatá Tancredo da
Silva Pinto.
Onde encontramos um misto entre o culto dos Orixás e o trabalho
direcionado dos Guias;
- Umbanda
Traçada ou Umbandomblé - Onde existe uma
diferenciação entre Umbanda e Candomblé, mas o mesmo sacerdote alterna sessões de
forma diferenciada;
- Umbanda
Esotérica - É diferenciada entre alguns segmentos oriundos
de Oliveira Magno, Emanuel Zespo e W. W. da Matta (Mestre Yapacany), em que intitulam a Umbanda
como a Aumbhandan: conjunto de leis divinas;
- Umbanda
Iniciática - É derivada da Umbanda Esotérica e fundamentada
pelo Mestre Rivas Neto (Escola de Síntese
conduzida por Yamunisiddha Arhapiagha), onde há a busca de uma
convergência doutrinária (sete ritos), e o alcance do Ombhandhum, o Ponto
de Convergência e Síntese. Existe uma grande influência Oriental, principalmente em termos
de mantras
indianos e utilização do sânscrito;
Estrutura
de um culto na umbanda
A umbanda tem, como lugar religioso, o templo, centro, tenda ou terreiro, o
local no qual os umbandistas se encontram em sessões, giras ou cultos para
promover atendimentos espirituais por meio da incorporação dos seus guias e
entidades.
O chefe é o pai ou mãe de santo, mais
correntemente chamado de sacerdote umbandista. São os médiuns mais experientes
e com maior conhecimento, normalmente fundadores do templo. É quem coordenam as
giras e que irão incorporar o guia-chefe, que comandará a espiritualidade e a
materialidade durante os trabalhos.
Como uma
religião espiritualista, a ligação entre os encarnados e os desencarnados se
faz por meio dos médiuns. Na umbanda, existem várias classes de médiuns, de
acordo com o tipo de mediunidade. Normalmente, há os médiuns de incorporação,
que irão "emprestar" seus corpos para os guias. Há também os ogãs, que transmitem a vibração da espiritualidade
superior por via do som dos atabaques e das
curimbas ou pontos cantados, criando um campo energético favorável à atração de
determinados espíritos, sendo muitas vezes responsáveis pela harmonia da gira.
Há os
cambonos que são os que comandam os cânticos e as cambonas que são encarregadas
de atender às entidades, provisionando todo o material necessário para a
realização dos trabalhos. Embora caiba ao sacerdote ou à sacerdotisa
responsável o comando vibratório do rito, grande importância é dada à
cooperação e ao trabalho coletivo de toda a corrente mediúnica. De forma geral,
as entidades que são incorporadas pelos médiuns são os guias: pretos-velhos, caboclos, crianças, boiadeiros, marinheiros, baianos, orientais, mineiros e ciganos. Nas sessões de quimbanda: exus, pomba giras e malandros (no caso específico do Rio de Janeiro).
As
sessões de umbanda
O culto
nos terreiros geralmente é dividido em sessões de desenvolvimento e de consulta
e são subdivididas em giras. Nas sessões de consulta, o consulente terá o
atendimento da entidade de acordo com a gira em vigor já pré-estabelecida em calendário,
como as de pretos-velhos, caboclos, exus, marinheiros, baianos e ciganos. As
pessoas conversam com as entidades a fim de obter ajuda e conselhos para suas
vidas, curas, descarrego, e problemas espirituais diversos.
As
ocorrências mais comuns nessas sessões são o passe e o descarrego. No passe, a entidade
reorganiza o campo energético astral da pessoa, energizando-a e retirando toda
a parte fluídica negativa que nela possa estar. Já o descarrego é feito com o
auxílio de um médium, o qual irá captar a energia negativa da pessoa e a
transferir para os assentamentos ou fundamentos do terreiro que contém
elementos dissipadores dessas energias. Também a entidade faz com que essa
energia seja deslocada para o astral. Caso haja um obsessor, o espírito
obsidiador é retirado e encaminhado para tratamento ou para um lugar mais adequado
no astral inferior, caso ele não aceite a luz que lhe é dada. Nesses casos pode
ser necessária a presença de uma ou mais entidades para auxiliar na
desobsessão.
Nos dias
de consulta há o atendimento da assistência, o conjunto de pessoas que procura
o terreiro para atendimento. Nos dias de desenvolvimento há as giras
mediúnicas, fechadas, nas quais há estudos e aprimoramento dos novos médiuns.
Culto
aos orixás
Na
umbanda, os orixás não incorporam, são periféricos, devido à sua posição elevada
na hierarquia, eles permanecem na esfera astral. Porém, raramente são
incorporados pelos médiuns a não ser na forma de falangeiros ou mensageiros. No
entanto, em algumas casas, os caboclos e pretos-velhos têm tomado na Umbanda a
posição que os orixás tradicionalmente ocupam no candomblé. Normalmente, os
orixás cultuados são Oxalá, Omolu, Iemanjá, Oxum, Nanã
Buruquê, Oxóssi, Xangô, Ogum e Iansã.
Todo o
universo surge de Olorum através das
radiações, que são individualizadas e personificadas em orixás. As emanações da
água, por exemplo, podem ser subdivididas em Oxum, água doce, Nanã, pântano, e Iemanjá, mar. Ocorre
associação semelhante com Ossain e Oxóssi no que tange
à irradiação do reino vegetal. Portanto, cada orixá é considerado
uma manifestação antropomorfizada dos elementos da natureza.
Os
orixás, na umbanda, se entrelaçam nas linhas de culto, que apresentam muita
controvérsia em suas denominações e divisões, às quais abrangem reinos e
falanges, de tal modo que não há uma unidade de entendimento, sendo geralmente
distribuídas Sete Linhas encimadas pela Linha de Oxalá, sobre o que
não há dúvida. Mais complexas se tornam as divisões em reinos e falanges, pois
cada praticante procura explicar a seu modo e defender o seu ponto de vista,
mesmo que esteja em desacordo com os demais. O orixá, pela sua vibração, influi
na sua falange, dentro de sua linha em um mensageiro ou falangeiro que se
manifesta nos terreiros de Umbanda
Guias da umbanda
Guias
Espirituais são os espíritos que trabalham
no Espiritismo de Umbanda. Esses
espíritos incorporam em médiuns para poderem
realizar seus trabalhos caritativos, assim como,
dar orientações, executarem trabalhos de contra-magia, passes e outros, sempre
em benefício dos viventes e desencarnados, trabalhando
somente para o bem. São também chamados de guias os colares usados pelos
médiuns durante as sessões e giras e também utilizadas pelos filhos da casa
representando os seus guias (Orixás), variando a
cor conforme a Linha na qual o espírito atua, a considerar:
- Linha de Oxalá = Contas Brancas
- Linha de Ogum = Contas Azuis escuras
- Linha de Oxóssi = Contas Verdes (em alguns casos contas Azuis claras leitosas
também são utilizadas)
- Linha de Oxum = Contas Douradas
- Linha de Xangô = Contas Marrons
- Linha de Iansã = Contas Vermelhas
- Linha de Nanã = Contas Lilás
- Linha de Omolu = Contas Brancas e Pretas
- Linha de Iemanjá = Contas Transparentes (em alguns casos contas Brancas e Azuis)
- Linha das Almas = Contas Pretas (Porém, não se usa)
Principais
guias
- Pretos-Velhos
- Caboclo
- Crianças (Erês)
- Exú
- Pombo-giras
- Malandros
- Marinheiros
- Boiadeiros
Falanges
que se acostam nas Linhas
Sincretismo
A umbanda é uma junção de elementos
africanos (orixás e culto aos antepassados), indígenas (culto aos antepassados e elementos da natureza), católicos (o europeu, que
trouxe o cristianismo e seus santos que foram sincretizados pelos negros Africanos), espiritismo
(fundamentos espíritas, reencarnação, lei de
causa e efeito, progresso
espiritual).
Há discordâncias sobre as cores votivas
de cada orixá conforme a região do Brasil e a tradição seguida por seus
seguidores. Da mesma forma quanto ao santo sincretizado a cada orixá.
Normalmente o sincretismo religioso de orixá e santo católico é feito da forma abaixo.
- Exu - Santo Antonio, no Rio de Janeiro, chamado de Bará, no Rio Grande do Sul.
- Ogum - São Jorge, principalmente no centro-sul do Brasil e Santo Antonio, na Bahia.
- Oxóssi - São Sebastião, principalmente no centro-sul do Brasil, e São Jorge, na Bahia.
- Xangô - São Jerônimo, São João Batista e São Miguel Arcanjo.
- Iemanjá - Nossa
Senhora dos Navegantes, Nossa Senhora da Glória e Nossa
Senhora da Conceição -
São Paulo.
- Oxum - Nossa
Senhora de Aparecida e
em alguns lugares Nossa
Senhora da Conceição.
- Iansã - Santa Bárbara.
- Omolu - São Roque e São Lázaro.
- Nanã - Sant'Anna.
- Ibeji - Cosme e Damião.
- Oxalá - Jesus Cristo.
- Zambi ou Olorum - Deus.
A umbanda prega a existência pacífica e o
respeito ao ser humano, à natureza e a Deus. Respeitando todas as manifestações
de fé, independentes da religião. Em decorrência de suas raízes, tem um caráter
eminentemente pluralista, compreende a diversidade e valoriza as diferenças.
Não há dogmas ou liturgia universalmente adotadas entre os praticantes, o que
permite uma ampla liberdade de manifestação da crença e diversas formas válidas
de culto.
Fundamentos
Os
fundamentos da umbanda variam conforme a vertente que a pratique, existem
alguns conceitos básicos que são encontrados na maioria das casas e assim
podem, com certa ressalva e cuidado, serem generalizados. São eles:
- A existência de uma fonte criadora universal,
um Deus supremo, pode receber os nomes Zambi, Olorum ou Oxalá. Algumas das
entidades, quando incorporadas, podem nomeá-lo de outra forma, como por
exemplo, Tupã, para caboclos, entre outros, mas são todos o mesmo Deus.
- O compromisso com "a manifestação do
espírito para a caridade". O que significa que a ajuda ao próximo não
ser retribuída em dinheiro ou valor de qualquer espécie.
- Ritual variando pela origem.
- Vestes, em geral, brancas.
- O não sacrifício de animais.
- Altar, Congá ou Peji com imagens católicas,
pretos-velhos, caboclos, baianos, marinheiros e boiadeiros.
- Bases: africanismo, espiritismo, amerindismo,
catolicismo.
- Serviço social constante nos centros.
- Magia branca.
- Batiza, consagra e casa.
- O culto aos orixás como manifestações divinas.
- A manifestação dos guias para exercer o
trabalho espiritual incorporado em seus médiuns ou "aparelhos",
também chamados de "cavalos".
- O mediunismo como forma de contato entre o
mundo físico e o espiritual, manifestado de diferentes formas.
- Uma doutrina, uma regra, uma conduta moral e
espiritual que é seguida em cada casa de forma variada e diferenciada, mas
que existe para nortear os trabalhos de cada terreiro.
- A crença na imortalidade da alma.
- A crença na reencarnação e nas leis cármicas.
- Muitos terreiros se baseiam, embora não sigam
à risca pelo fato de existirem outras vertentes de pensamentos e práticas
em uma "Carta Magna de Umbanda" discutida e eleita através do
médium Ortiz:
Carta Magna de Umbanda
“A umbanda, como religião, tem em seu fundamento
como base a crença em um único Deus (monoteísta), porém sua estrutura se
estende através do panteão de Divindades denominadas de Orixás, com linhas e
sublinhas de espíritos guias. Dando por verdade que a religião teve as
influências das religiões Indígena, Africana, Kardecista e Católica.’
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Graça e Paz.