sábado, 2 de maio de 2015

Umbanda (trabalho acadêmico) simples

Umbanda


      A umbanda, também conhecida como embanda e magia branca, é uma religião brasileira, cuja evolução a partir do sincretismo religioso existente no país (principalmente a partir das religiões afro-brasileiras e do kardecismo) foi resultado de motivações diversas, inclusive de ordem social, que
originaram um culto à feição e moda do país. "Umbanda" e "embanda" são oriundas da língua quimbunda de Angola, significando "magia", "arte de curar". Já os autores de vertente esotérica fazem alusão ao sânscrito, a partir da junção dos termos Aum e Bandha, significando o elo entre os planos divino e terreno. A palavra mântrica Aumbandhan teria sido passada boca a boca e chegado até nós como "A Umbanda".
      Inserida na religiosidade cultural brasileira. A Umbanda é estruturada, moralmente, em 3 princípios: fraternidade, caridade e respeito ao próximo. Admite um deus gerador chamado (Zambi), que é o criador de tudo e todos. Seus adeptos (chamados também de "umbandistas" ou "filhos de fé") cultuam divindades denominadas Orixás e reverenciam espíritos chamados Guias. Suas origens são remotas, vindo do berço de nossa civilização, talvez até de civilizações mais antigas, ainda desconhecidas pelo homem. A umbanda como conhecemos agora, renasceu no século XX, no dia l5 de novembro de 1.908 através do médium Zélio Fernandino de Morais e foi estruturada livre de práticas e mitologias passadas.




Historia
      Em meio as festas nas senzalas os negros escravos reverenciavam os orixás por intermédio do sincretismo com os Santos Católicos. Nessas festas eles incorporavam seus orixás, mas também começaram a incorporar os espíritos ditos ancestrais, como os pretos-velhos (reconhecidos como espíritos de ancestrais, sejam de antigos babalaôs, babalorixás, yalorixás e antigos "pais e mães de senzala": escravos mais velhos que sobreviveram à senzala e que, em vida, eram conselheiros e sabiam as antigas artes da religião da distante África), que iniciaram a ajuda espiritual e o alívio do sofrimento material daqueles que estavam no cativeiro. Embora houvesse uma certa resistência por parte de alguns, pois consideravam os espíritos incorporados dos pretos-velhos, como eguns (espírito de pessoas que já morreram e não são cultuados no candomblé), também houve admiração e devoção. Com os escravos foragidos, forros e libertados pelas leis do Ventre Livre, Sexagenário e posteriormente a Lei Áurea, começou-se a montagem das tendas, posteriormente terreiros.
      No início do século XX, com o surgimento da Umbanda, esta que muitas vezes era realizada nas praias começou a ser conhecida pelo termo macumba, pois macumba nada mais é que um determinado tipo de reco-reco usado durante as giras; por ser um instrumento musical, as pessoas referiam-se da seguinte forma: "Estão batendo a macumba na praia", ficando então conhecidas as giras como macumbas ou culto Omolokô. Com o passar do tempo, tudo que envolvia algo que não se enquadrava nos ensinamentos impostos pelo catolicismo, protestantismo, e outras religiões, era considerado macumba. Com isso, acabou por virar um termo pejorativo.
Zélio Fernandino de Moraes
      Em 1908, aos 17 anos, Zélio Fernandino de Moraes preparava-se para ingressar na Escola Naval, quando fatos estranhos começaram a acontecer na vida dele. Em alguns momentos Zélio era visto falando manso, com a postura de um velho, sotaque diferente. Em outros momentos parecia um felino lépido e desembaraçado, mostrando conhecer todos os mistérios na natureza. Como esses "ataques" se tornaram frequentes, a família decidiu buscar ajuda. Primeiro com o médico da família, seu tio Epaminondas de Moraes, psiquiatra e diretor do Hospício da Vargem Grande. Após dias de observação e não encontrando seus sintomas em nenhuma literatura médica, sugeriu à família que que o encaminhasse a um padre, para que fosse feito um ritual de exorcismo. Foi chamado o padre, outro tio de Zélio e, após 3 exorcismos, não resolveram a situação e as manifestações prosseguiram Após algum tempo, Zélio foi tomado por uma paralisia parcial, a qual os médicos não conseguiam entender. Um dia, Zélio levanta-se do leito e diz: "amanhã estarei curado" e, no dia seguinte, voltou a andar como se nada houvesse acontecido.
      Um amigo sugeriu encaminhá-lo à Federação Espírita de Niterói, presidida pelo chefe de um departamento da Marinha, o Sr. José de Souza. No dia 15 de novembro de 1908, na presença do Sr. José de Souza, em meio aos ataques reconhecidos como manifestações mediúnicas, o Caboclo das Sete Encruzilhadas anunciou o surgimento da Religião de Umbanda no plano material. No dia seguinte, 16 de novembro de 1908, na casa do médium Zélio Fernandino de Moraes, as 20h, o Caboclo das Sete Encruzilhadas incorporou, na presença de várias pessoas, inclusive membros da Federação Espirita de Niterói, e com as palavras abaixo iniciou seu culto:
Vim para fundar a Umbanda no Brasil. Aqui, inicia-se um novo culto, em que os espíritos de pretos-velhos e os índios nativos de nossa terra poderão trabalhar em benefício dos seus irmãos encarnados, qualquer que seja a cor, raça, credo, ou posição social. A prática da caridade, no sentido do amor fraterno, será a característica principal desse culto”.
      O surgimento da Umbanda se dá com a fundação do primeiro Templo de Umbanda, a Tenda Espirita Nossa Senhora da Piedade, onde surgiu, de fato, uma liturgia, um ritual e uma estrutura para que essa religião viesse a ser praticada. Tudo isso foi realizado com Zélio Fernandino de Moraes e o Caboclo das Sete Encruzilhadas.

Formas variadas da Umbanda
      A incorporação de guias também ocorreu em outras religiões como no Candomblé de Caboclos (desde 1865 as primeiras manifestações de Caboclos, Boiadeiros, Marinheiros, Crianças e Preto-velhos aconteceram dentro do Candomblé de Caboclos), no Catimbó e em centros Espíritas (onde não eram aceitos e, muitas vezes, expulsos ou pedidos a se retirar, por serem vistos como espíritos não evoluídos, ou mesmo, como obsessores).
      Hoje temos várias linhas doutrinárias com o nome "Umbanda" que guardam raízes muito fortes das bases iniciais, e outras, que se absorveram características de outras religiões, mas que mantém a mesma essência nos objetivos de prestar a caridade, com humildade, respeito e fé.
Alguns exemplos dessas ramificações são:
  • Umbanda Branca e/ou de Mesa: Nesse tipo de Umbanda, em grande parte, não encontramos elementos Africanos Orixás, nem o trabalho de exus e pomba giras, ou a utilização de elementos como atabaques, fumo, imagens e bebidas. Essa linha doutrinária se prende mais ao trabalho de guias como caboclos preto-velhos e crianças. Também podemos encontrar a utilização de livros espíritas como fonte doutrinária;
  • Omolokô - Trazida da África pelo Tatá Tancredo da Silva Pinto. Onde encontramos um misto entre o culto dos Orixás e o trabalho direcionado dos Guias;
  • Umbanda Traçada ou Umbandomblé - Onde existe uma diferenciação entre Umbanda e Candomblé, mas o mesmo sacerdote alterna sessões de forma diferenciada;
  • Umbanda Esotérica - É diferenciada entre alguns segmentos oriundos de Oliveira Magno, Emanuel Zespo e W. W. da Matta (Mestre Yapacany), em que intitulam a Umbanda como a Aumbhandan: conjunto de leis divinas;
  • Umbanda Iniciática - É derivada da Umbanda Esotérica e fundamentada pelo Mestre Rivas Neto (Escola de Síntese conduzida por Yamunisiddha Arhapiagha), onde há a busca de uma convergência doutrinária (sete ritos), e o alcance do Ombhandhum, o Ponto de Convergência e Síntese. Existe uma grande influência Oriental, principalmente em termos de mantras indianos e utilização do sânscrito;

Estrutura de um culto na umbanda
      A umbanda tem, como lugar religioso, o templo, centro, tenda ou terreiro, o local no qual os umbandistas se encontram em sessões, giras ou cultos para promover atendimentos espirituais por meio da incorporação dos seus guias e entidades.
      O chefe é o pai ou mãe de santo, mais correntemente chamado de sacerdote umbandista. São os médiuns mais experientes e com maior conhecimento, normalmente fundadores do templo. É quem coordenam as giras e que irão incorporar o guia-chefe, que comandará a espiritualidade e a materialidade durante os trabalhos.
      Como uma religião espiritualista, a ligação entre os encarnados e os desencarnados se faz por meio dos médiuns. Na umbanda, existem várias classes de médiuns, de acordo com o tipo de mediunidade. Normalmente, há os médiuns de incorporação, que irão "emprestar" seus corpos para os guias. Há também os ogãs, que transmitem a vibração da espiritualidade superior por via do som dos atabaques e das curimbas ou pontos cantados, criando um campo energético favorável à atração de determinados espíritos, sendo muitas vezes responsáveis pela harmonia da gira.
      Há os cambonos que são os que comandam os cânticos e as cambonas que são encarregadas de atender às entidades, provisionando todo o material necessário para a realização dos trabalhos. Embora caiba ao sacerdote ou à sacerdotisa responsável o comando vibratório do rito, grande importância é dada à cooperação e ao trabalho coletivo de toda a corrente mediúnica. De forma geral, as entidades que são incorporadas pelos médiuns são os guias: pretos-velhos, caboclos, crianças, boiadeiros, marinheiros, baianos, orientais, mineiros e ciganos. Nas sessões de quimbanda: exus, pomba giras e malandros (no caso específico do Rio de Janeiro).

As sessões de umbanda
      O culto nos terreiros geralmente é dividido em sessões de desenvolvimento e de consulta e são subdivididas em giras. Nas sessões de consulta, o consulente terá o atendimento da entidade de acordo com a gira em vigor já pré-estabelecida em calendário, como as de pretos-velhos, caboclos, exus, marinheiros, baianos e ciganos. As pessoas conversam com as entidades a fim de obter ajuda e conselhos para suas vidas, curas, descarrego, e problemas espirituais diversos.
      As ocorrências mais comuns nessas sessões são o passe e o descarrego. No passe, a entidade reorganiza o campo energético astral da pessoa, energizando-a e retirando toda a parte fluídica negativa que nela possa estar. Já o descarrego é feito com o auxílio de um médium, o qual irá captar a energia negativa da pessoa e a transferir para os assentamentos ou fundamentos do terreiro que contém elementos dissipadores dessas energias. Também a entidade faz com que essa energia seja deslocada para o astral. Caso haja um obsessor, o espírito obsidiador é retirado e encaminhado para tratamento ou para um lugar mais adequado no astral inferior, caso ele não aceite a luz que lhe é dada. Nesses casos pode ser necessária a presença de uma ou mais entidades para auxiliar na desobsessão.
      Nos dias de consulta há o atendimento da assistência, o conjunto de pessoas que procura o terreiro para atendimento. Nos dias de desenvolvimento há as giras mediúnicas, fechadas, nas quais há estudos e aprimoramento dos novos médiuns.

Culto aos orixás
      Na umbanda, os orixás não incorporam, são periféricos, devido à sua posição elevada na hierarquia, eles permanecem na esfera astral. Porém, raramente são incorporados pelos médiuns a não ser na forma de falangeiros ou mensageiros. No entanto, em algumas casas, os caboclos e pretos-velhos têm tomado na Umbanda a posição que os orixás tradicionalmente ocupam no candomblé. Normalmente, os orixás cultuados são Oxalá, Omolu, Iemanjá, Oxum, Nanã Buruquê, Oxóssi, Xangô, Ogum e Iansã.
      Todo o universo surge de Olorum através das radiações, que são individualizadas e personificadas em orixás. As emanações da água, por exemplo, podem ser subdivididas em Oxum, água doce, Nanã, pântano, e Iemanjá, mar. Ocorre associação semelhante com Ossain e Oxóssi no que tange à irradiação do reino vegetal. Portanto, cada orixá é considerado uma manifestação antropomorfizada dos elementos da natureza.
      Os orixás, na umbanda, se entrelaçam nas linhas de culto, que apresentam muita controvérsia em suas denominações e divisões, às quais abrangem reinos e falanges, de tal modo que não há uma unidade de entendimento, sendo geralmente distribuídas Sete Linhas encimadas pela Linha de Oxalá, sobre o que não há dúvida. Mais complexas se tornam as divisões em reinos e falanges, pois cada praticante procura explicar a seu modo e defender o seu ponto de vista, mesmo que esteja em desacordo com os demais. O orixá, pela sua vibração, influi na sua falange, dentro de sua linha em um mensageiro ou falangeiro que se manifesta nos terreiros de Umbanda

Guias da umbanda
      Guias Espirituais são os espíritos que trabalham no Espiritismo de Umbanda. Esses espíritos incorporam em médiuns para poderem realizar seus trabalhos caritativos, assim como, dar orientações, executarem trabalhos de contra-magia, passes e outros, sempre em benefício dos viventes e desencarnados, trabalhando somente para o bem. São também chamados de guias os colares usados pelos médiuns durante as sessões e giras e também utilizadas pelos filhos da casa representando os seus guias (Orixás), variando a cor conforme a Linha na qual o espírito atua, a considerar:
  • Linha de Oxalá = Contas Brancas
  • Linha de Ogum = Contas Azuis escuras
  • Linha de Oxóssi = Contas Verdes (em alguns casos contas Azuis claras leitosas também são utilizadas)
  • Linha de Oxum = Contas Douradas
  • Linha de Xangô = Contas Marrons
  • Linha de Iansã = Contas Vermelhas
  • Linha de Nanã = Contas Lilás
  • Linha de Omolu = Contas Brancas e Pretas
  • Linha de Iemanjá = Contas Transparentes (em alguns casos contas Brancas e Azuis)
  • Linha das Almas = Contas Pretas (Porém, não se usa)

Principais guias

Falanges que se acostam nas Linhas

Sincretismo


      A umbanda é uma junção de elementos africanos (orixás e culto aos antepassados), indígenas (culto aos antepassados e elementos da natureza), católicos (o europeu, que trouxe o cristianismo e seus santos que foram sincretizados pelos negros Africanos), espiritismo (fundamentos espíritas, reencarnação, lei de causa e efeito, progresso espiritual).
      Há discordâncias sobre as cores votivas de cada orixá conforme a região do Brasil e a tradição seguida por seus seguidores. Da mesma forma quanto ao santo sincretizado a cada orixá. Normalmente o sincretismo religioso de orixá e santo católico é feito da forma abaixo.
      A umbanda prega a existência pacífica e o respeito ao ser humano, à natureza e a Deus. Respeitando todas as manifestações de fé, independentes da religião. Em decorrência de suas raízes, tem um caráter eminentemente pluralista, compreende a diversidade e valoriza as diferenças. Não há dogmas ou liturgia universalmente adotadas entre os praticantes, o que permite uma ampla liberdade de manifestação da crença e diversas formas válidas de culto.

Fundamentos
      Os fundamentos da umbanda variam conforme a vertente que a pratique, existem alguns conceitos básicos que são encontrados na maioria das casas e assim podem, com certa ressalva e cuidado, serem generalizados. São eles:
  • A existência de uma fonte criadora universal, um Deus supremo, pode receber os nomes Zambi, Olorum ou Oxalá. Algumas das entidades, quando incorporadas, podem nomeá-lo de outra forma, como por exemplo, Tupã, para caboclos, entre outros, mas são todos o mesmo Deus.
  • O compromisso com "a manifestação do espírito para a caridade". O que significa que a ajuda ao próximo não ser retribuída em dinheiro ou valor de qualquer espécie.
  • Ritual variando pela origem.
  • Vestes, em geral, brancas.
  • O não sacrifício de animais.
  • Altar, Congá ou Peji com imagens católicas, pretos-velhos, caboclos, baianos, marinheiros e boiadeiros.
  • Bases: africanismo, espiritismo, amerindismo, catolicismo.
  • Serviço social constante nos centros.
  • Magia branca.
  • Batiza, consagra e casa.
  • O culto aos orixás como manifestações divinas.
  • A manifestação dos guias para exercer o trabalho espiritual incorporado em seus médiuns ou "aparelhos", também chamados de "cavalos".
  • O mediunismo como forma de contato entre o mundo físico e o espiritual, manifestado de diferentes formas.
  • Uma doutrina, uma regra, uma conduta moral e espiritual que é seguida em cada casa de forma variada e diferenciada, mas que existe para nortear os trabalhos de cada terreiro.
  • A crença na imortalidade da alma.
  • A crença na reencarnação e nas leis cármicas.
    • Muitos terreiros se baseiam, embora não sigam à risca pelo fato de existirem outras vertentes de pensamentos e práticas em uma "Carta Magna de Umbanda" discutida e eleita através do médium Ortiz:
    •  
Carta Magna de Umbanda

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“A umbanda, como religião, tem em seu fundamento como base a crença em um único Deus (monoteísta), porém sua estrutura se estende através do panteão de Divindades denominadas de Orixás, com linhas e sublinhas de espíritos guias. Dando por verdade que a religião teve as influências das religiões Indígena, Africana, Kardecista e Católica.’

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